Boletim Informativo dos SSAP n.º 1/2019


Editorial

Caros/as beneficiários/as,

 

Na primeira edição de 2019 do Boletim Informativo dos SSAP, damos-lhe a conhecer algumas das atividades de que podem usufruir no espaço multiusos do Centro Sócio Cultural Visconde de Valmor.

Merecem ainda destaque as iniciativas desenvolvidas em vários organismos da Administração Pública na área da Saúde Ocupacional, bem como na promoção de uma alimentação saudável.

No artigo de opinião, aborda-se um tema de grande atualidade – a depressão – e a importância de que se reveste o seu reconhecimento para a procura do tratamento adequado.

Saúda-se a criação do Espaço Beneficiário, aberto a todos os interessados em colaborar com o BI dos SSAP, e que se estreia com o apontamento literário “Os meninos da minha aldeia”.

Nas rúbricas temáticas, assinalam-se os artigos sobre as boas práticas para uma alimentação segura e a chamada de atenção dos nossos beneficiários para o novo portal dos serviços públicos, o E-Portugal, facilitador de diversas interações dos cidadãos e empresas com o Estado.

 

O Presidente dos SSAP

Humberto Meirinhos

Beneficie dos nossos serviços

Centro Sociocultural Visconde Valmor: um novo espaço para todos os beneficiários

O Centro Sociocultural situado na Av. Visconde Valmor em Lisboa entrou em funcionamento em agosto de 2018. A sua localização privilegiada, próxima de diversos serviços públicos e com acesso fácil a transportes potencia a realização de múltiplas atividades destinadas aos beneficiários dos SSAP.

É composto por duas salas multiusos, próprias para realização de atividades várias, equipado com dois balneários completos, bem como com material desportivo variado, funcionando como um complemento aos restantes equipamentos sociais dos SSAP – Centros de Convívio e Centro de Formação – e às atividades já desenvolvidas. Através deste espaço, os SSAP propõem-se:

  • assegurar uma resposta imediata a necessidades de ocupação de crianças e jovens;
  • elaborar e promover programas de atividades físicas para beneficiários aposentados e ativos;
  • desenvolver e promover, com entidades públicas ou privadas, atividades sociorrecreativas e de formação, numa perspetiva de valorização de tempos livres;
  • apoiar e promover atividades de animação sociocultural;
  • promover ações que contribuam para a prevenção da doença.

Nesta medida, foram já realizadas:

  • festas para beneficiários aposentados (como o Baile de São Martinho e o Festival Musical da Inclusão);
  • atividades de ocupação de tempos livres e campos de férias não residenciais para crianças e jovens (coincidentes com as férias escolares do Carnaval e Páscoa);
  • um dia aberto para beneficiários aposentados dedicado ao exercício físico;
  • aulas diárias para beneficiários aposentados de "Ginástica", "Hatha Yoga", "Pilates", "Stretching", "Zumba", "Dançaterapia" e "Mexe na Cadeira";
  • ações de esclarecimento e promoção da saúde para crianças e jovens (como, por exemplo, a realizada em colaboração com a EPAL).
Atividades

Paralelamente, e ao abrigo do acordo estabelecido com a Direção-Geral de Atividades Económicas (DGAE), o Centro Sociocultural tem também albergado aulas de Yoga para os seus funcionários.

No verão de 2019, mais concretamente durante o mês de agosto e primeira semana de setembro, o espaço estará exclusivamente dedicado a atividades ocupacionais para crianças e jovens, prevendo-se, para breve, a publicação no portal dos SSAP dos respetivos conteúdos programáticos e períodos de inscrição.

Saúde Ocupacional: ocupe-se de si!

Através das iniciativas integradas na área da saúde ocupacional, os SSAP visam dinamizar a promoção de saúde no local de trabalho, fomentar práticas de trabalho e estilos de vida saudáveis, prevenir riscos profissionais, promover a segurança, a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Neste âmbito têm sido promovidas diversas atividades junto dos beneficiários no ativo, em vários organismos, sobre temas como ginástica laboral de micromovimentos, quick massage, ergonomia, entre outras.

Sendo uma das grandes preocupações dos beneficiários as questões posturais e a diminuição do desconforto/dor relacionadas com o posto de trabalho, várias têm sido as nossas ações que incidem em conselhos como os apresentados na figura em anexo.

    Alongamentos no local de trabalho
Fonte da imagem: ACT

 

Especificamente destinadas aos seus trabalhadores, os SSAP promovem atividades durante a pausa para almoço, como a ginástica laboral de micromovimentos, quick massage, yoga e pilates. Em adição, são divulgadas mensalmente através de correio eletrónico, duas dicas sobre exercícios que integram as boas práticas em saúde no local de trabalho.

Água da torneira é a nossa opção. E a sua?

Os SSAP elegeram a água da torneira como a opção mais sustentável nas suas instalações, numa cerimónia simbólica, realizada no dia 14 de fevereiro, com a EPAL - Empresa Portuguesa das Águas Livres, S.A..

Esta iniciativa pretende afirmar a excelência da água fornecida pela EPAL, representando uma opção ecológica e económica, e traduzindo a confiança nas infraestruturas de abastecimento da cidade de Lisboa, consideradas seguras e resilientes.

A parceria com a EPAL é igualmente enquadrada no âmbito da estratégia para a promoção da saúde, no âmbito da qual os SSAP têm realizado diversas ações como palestras e workshops, dirigidas aos nossos beneficiários no ativo e aposentados, de forma a reforçar a importância da hidratação como parte integrante da alimentação saudável.

EPAL

Marcos Sá, Diretor de Comunicação e Educação Ambiental da EPAL,
Fernanda Rodrigues, Vice-Presidente dos SSAP
Humberto Meirinhos, Presidente dos SSAP

Dia Mundial da Água nos refeitórios dos SSAP

Os SSAP celebraram o dia Mundial da Água com a disponibilização de águas aromatizadas nos refeitórios.

Agua

Os refeitórios situados no Palácio Foz, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Filipe Folque; Direção Geral das Atividades Económicas, IAPMEI, Direção Geral da Administração Escolar e Direção Geral do Ensino Superior, celebraram este dia disponibilizando água aromatizada nas mais diversas combinações, entre limão, laranja, hortelã, canela e pepino.

Os utentes felicitaram a ideia e propuseram a continuidade deste tipo de iniciativas nos refeitórios.

O Dia Mundial da Água celebra-se anualmente a 22 de março. A data visa alertar as populações e os governos para a urgente necessidade de preservação e poupança deste recurso natural tão valioso.

A gestão dos recursos de água tem impacto em vários setores, nomeadamente na saúde, produção de alimentos, energia, abastecimento doméstico e sanitário, indústria e sustentabilidade ambiental.

As alterações climáticas provocam graves impactos nos recursos de água. Alterações atmosféricas como tempestades, períodos de seca, chuva e frio afetam a quantidade de água disponível e colocam em risco os ecossistemas que asseguram a qualidade da água.

Fonte: https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-agua/

Protocolos - O que há de novo

Neste espaço damos a conhecer os mais recentes protocolos celebrados pelos SSAP.

 

 

Educação:

 

Saúde:

 

Sociais:

 

Consulte as condições destes e outros protocolos na área do portal dos SSAP. Conheça toda a oferta que temos para si.

Boas práticas para uma alimentação segura

Alergias e intolerâncias alimentares

O que é a alergia alimentar?

A alergia alimentar é uma reação de saúde adversa que ocorre quando o sistema imunológico reconhece erradamente um alimento como uma entidade agressora ao organismo. A fração desse alimento que é responsável pela reação alérgica denomina-se alergénio. Pensa-se que pelo menos 5 em cada 100 crianças sofram de alergia alimentar, e que nos adultos a prevalência seja mais baixa, entre 3 a 4%.

Qual é a diferença entre a alergia alimentar e a intolerância aos alimentos?

Uma intolerância alimentar caracteriza-se por uma reação adversa, reprodutível, que ocorre após a exposição a um determinado alimento, mas que ao contrário da alergia alimentar não envolve o sistema imunológico. A intolerância à lactose é um exemplo desta condição, que se caracteriza pela incapacidade do organismo de digerir a lactose, um açúcar naturalmente presente no leite. As manifestações da intolerância à lactose incluem diarreia, flatulência e dor ou desconforto abdominal.

Como se manifesta clinicamente a alergia alimentar?

As manifestações clínicas da reação alérgica podem variar de moderadas a graves, podendo mesmo, em alguns casos, ser fatais. Os sintomas surgem rapidamente, entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alergénio, e podem incluir manifestações cutâneas (pele e mucosas), respiratórias, gastrointestinais e cardiovasculares, de forma isolada ou combinada:

1. Manifestações cutâneas

-> Erupções cutâneas

-> Eczema

-> Urticária

2. Manifestações gastrointestinais

-> Vómito

-> Dores abdominais

-> Diarreia

3. Manifestações respiratórias

-> Pieira

-> Dificuldades respiratórias

4. Outras manifestações (mais graves):”

-> Edema da glote e da língua

-> Sensação de formigueiro na boca

-> Diminuição da pressão arterial

-> Perda de consciência

O que é uma reação anafilática?

A anafilaxia é uma reação que pode ocorrer em muitos dos indivíduos com alergia alimentar, podendo ser fatal se não for tratada convenientemente. Trata-se de uma manifestação muito grave, com múltiplos sinais e sintomas, onde se incluem os cardiovasculares. As alergias que mais comummente se associam à anafilaxia são ao leite de vaca, ovo, peixe, amendoim e frutos de casca rija e marisco.

O que fazer em caso de ingestão acidental ou aparecimento dos sintomas?

É vital o reconhecimento dos sinais e sintomas associados à anafilaxia bem como a familiarização com o procedimento necessário em caso de ingestão acidental.

A alergia alimentar tem tratamento?

O tratamento da alergia alimentar consiste principalmente na evicção alimentar – a eliminação do alergénio da alimentação do indivíduo. A eliminação do alergénio implica, portanto, a não ingestão de todos os alimentos que o contêm. Assim, por exemplo, uma criança que tenha alergia alimentar à proteína do leite de vaca não poderá consumir qualquer tipo de produtos lácteos, bem como preparações culinárias que contenham leite ou derivados, como manteiga, queijo ou iogurte. É de igual importância garantir que a alimentação e a ingestão de nutrimentos não fica comprometida como consequência da evicção alimentar, devendo ser consumidos outros alimentos nutricionalmente equivalentes, mas que não contenham o alergénio.

O seu médico imunoalergologista poderá orientá-lo em relação às indicações ou limitações alimentares, e em situações de exposição acidental, é essencial que as pessoas reconheçam os sinais e sintomas associados à anafilaxia e estejam familiarizados com o procedimento em caso de reacção e contatar de imediato o INEM (112).

Quais são os principais alimentos envolvidos na alergia alimentar?

As alergias alimentares mais comuns são ao leite de vaca, ovo, amendoim e frutos de casca rija, como as nozes (conhecidos por “frutos secos”), peixe, marisco, trigo e soja, sendo estes alimentos responsáveis por 90% das reações. Embora com menos frequência, alguns indivíduos são alérgicos a mais do que um alimento, sofrendo portanto de alergia alimentar múltipla. Em alguns casos, para além dos alimentos diretamente implicados nas reações alérgicas, ocorrem manifestações perante a exposição a outros alergénios alimentares ou mesmo a aeroalergénios. Este fenómeno designa-se reatividade cruzada e surge devido às semelhanças estruturais moleculares entre os alergénios. Por exemplo, a alergia ao marisco, nomeadamente ao camarão, está associada à alergia a ácaros; a alergia a pólen de gramíneas pode estar associada a sensibilização ao tomate. Outra manifestação que se relaciona com a reatividade cruzada entre alergénios é o Síndrome de Alergia Oral (SAO) que se caracteriza pelo aparecimento de edema, comichão e/ou formigueiro dos lábios, boca e garganta após o contacto de um fruto fresco ou produto hortícola com a mucosa oral do indivíduo alérgico. Geralmente estes doentes são também alérgicos a pólen. Os alimentos mais frequentemente envolvidos no SAO são a maçã, pêssego, ameixa, pera, tomate, melão, kiwi, banana, cereja, pepino, cenoura, amêndoa e avelã.

Em que consiste a evicção alimentar?

De modo a prevenir a ocorrência de uma reação alérgica é necessária a restrição, não só de todos os alimentos diretamente responsáveis pela alergia, como também daqueles que poderão conter o alergénio na sua composição. É essencial conhecer quais são os ingredientes que compõem uma receita ou preparação culinária, mesmo quando a presença do alimento alergénico em questão não é aparente. Por exemplo, a confeção de puré de batata poderá incluir como ingredientes leite, ovo e farinha de trigo, ingredientes estes que muitas vezes não são considerados e que devem ser evitados, se uma reação alérgica lhes estiver associada. Para prevenir uma ingestão acidental, é fundamental a educação para a leitura e interpretação de rótulos alimentares, no sentido de identificar alergénios potencialmente escondidos. Os alimentos processados incluem muitas vezes alergénios escondidos, que podem não ser evidentes pela sua designação, p.e. a presença de frutos secos num chocolate de leite. Por vezes a presença ocorre por contaminação cruzada nas linhas de produção dos alimentos processados, por exemplo quando se utiliza a mesma linha de produção para chocolate de leite e para chocolates com frutos de casca rija ou bolacha (trigo). No próximo boletim vamos identificar alguns ingredientes que podem ser encontrados na rotulagem de alimentos processados, a qual contém obrigatoriamente todos os alergénios considerados mais frequentes no nosso país. O planeamento da dieta passa frequentemente pela colaboração entre o médico e o nutricionista visando garantir uma alimentação diversificada e que não se relacione com carências ou erros nutricionais.

Contaminação cruzada?

Em alguns casos quantidades muito reduzidas de alergénio podem ser suficientes para provocar uma reação grave. Muitas vezes um alimento que parecia ser seguro pode desencadear uma reação alérgica, apenas por ter entrado em contato com outros alimentos que têm o alergénio. A este fenómeno designa-se contaminação cruzada, podendo em alguns casos ter consequências severas. Existem pequenos cuidados e medidas simples na preparação e produção de alimentos e refeições, que podem prevenir a contaminação cruzada e que permitem garantir a ingestão de alimentos seguros:

- Lavar corretamente as mãos entre as várias etapas de manipulação de alimentos;

- Não usar os mesmos utensílios durante a preparação, confeção, empratamento e distribuição de refeições (talheres, misturadoras, batedeiras, tábuas de corte, pratos, travessas, tachos e panelas e outros);

- Não utilizar o mesmo óleo de fritura ou água de cozedura para diferentes alimentos;

- Não utilizar as mesmas bancadas ou superfícies de contacto para a manipulação de alimentos;

- Durante as refeições, os doentes com alergia alimentar devem evitar a partilha de utensílios (talheres, pratos, guardanapos, copos) ou contacto direto com alimentos potencialmente alergénicos.

Na próxima edição do boletim informativo iremos dar continuidade a esta temática tão importante com a identificação de alergias, não exaustivas, com exemplos de alimentos que devem ser excluídos da alimentação, por alergénio, em caso de diagnóstico médico de alergia alimentar.

Fonte: www.alimentacaosaudavel.dgs.pt

Conhece este símbolo?

Símbolo Sabor do ano

O selo representa a única certificação de qualidade para o sector da alimentação baseada exclusivamente nas qualidades gustativas dos produtos, que são provados e aprovados pelos consumidores. Um símbolo de confiança e garantia que permite identificar e distinguir o bom sabor dos produtos. O selo foi criado em 1995, em França, e está atualmente presente em seis países: Portugal, Espanha, França, México, Tunísia e Bélgica. Em Portugal e Espanha é representado pela Global Quality Iberia.

A certificação Sabor do Ano posicionou-se nos diferentes mercados como a referência da qualidade gustativa que mais consegue reunir a confiança de consumidores, fabricantes, profissionais e distribuidores do sector.

Assim, pode visualizar este símbolo em produtos de charcutaria como por exemplo paio, nas grandes superfícies comerciais, basta para isso estar atento/a.

Fonte: http://sabordoano.com/

Opinião

Da tristeza à depressão. Quando pedir ajuda?

É comum perguntarmo-nos se sentir tristeza significa ter uma depressão ou em que é que estes dois estados se distinguem. Com frequência, escutamos pessoas queixarem-se que se sentem deprimidos ou tristes. Efectivamente, o diagnóstico de depressão implica a presença diária de humor deprimido ou triste, ou a falta diária de interesse ou prazer pela generalidade das actividades, durante duas ou mais semanas. Porém, a depressão envolve outros mais sintomas.

Frequentemente, quem vive uma depressão refere alterações do sono (dormindo pouco ou em demasia), ansiedade, agitação interior ou lentidão dos gestos e do pensamento, dificuldades de concentração, cansaço, falta de energia e/ou alterações no apetite. Uma depressão implica sempre que a pessoa se sinta em sofrimento a ponto de, de algum modo, ver o seu funcionamento ser afectado ao nível dos relacionamentos pessoais, da vida social ou da vida profissional.

Quem vive uma depressão pode sentir uma diminuição do seu valor como pessoa, considerando muitas vezes que já não realiza bem as tarefas, que não é merecedor do que tem ou que é de algum modo inferior aos outros. Também é frequente que se sinta culpado, até mesmo do que sente, quando na realidade não tem culpa dos seus sintomas. É importante referir que ninguém está livre de vir a desenvolver uma depressão. A ideia que só deprime quem é fraco ou louco é uma crença altamente preconceituosa e que revela, por parte de quem assim pensa, estar desinformado acerca desta doença.

Perguntemo-nos: faz sentido culpar alguém por sentir falta de ar quando sofre de asma ou culpar essa pessoa por ter asma? Não, não faz. A asma é uma doença que requer tratamento por parte de um médico especializado. A depressão também. A asma não deve ser descurada porque pode conduzir à morte. A depressão, se descurada, pode conduzir ao suicídio.

Dizer “faça um esforço, tem de se animar” não é suficiente. Em geral, estes comentários tendem a agravar os sentimentos de culpa de quem sofre de depressão. Isto porque é exactamente o que a pessoa tantas vezes diz a si mesma, apercebendo-se incapaz de combater os sintomas por si própria. Nesta situação é fundamental recorrer a um profissional de saúde mental. A intervenção mais eficaz consiste em aliar a psicoterapia com a psicofarmacologia. Por isso, é recomendável ir a um psicólogo e, nos casos mais graves ou resistentes, não dispensar a consulta de um psiquiatra.

Saiba que não é louco por recorrer a estes profissionais. Quem procura e pede ajuda a profissionais de saúde mental é, na realidade, alguém informado e consciente que cuidar da saúde mental é tão importante como cuidar da saúde física. Saiba ainda que Portugal é dos países da Europa com mais casos de depressão. Cerca de 6% da população portuguesa apresenta este diagnóstico e são muitos os casos que se encontram por diagnosticar. Em 2017 registaram-se 1.061 mortes por suicídio, um número superior aos 981 óbitos registados em 2016. Estes dados indicam o quão importante é estar alerta para os sintomas e procurar ajuda e tratamento especializado.

Espaço Beneficiário

 

O texto que vai ler de seguida foi-nos gentilmente enviado por uma beneficiária dos SSAP à qual agradecemos o contributo. Reforçamos que a rubrica “Espaço Beneficiário” é destinada a todos os beneficiários que queiram colaborar com o Boletim Informativo dos SSAP, seja enviando pequenos artigos, como é o caso, ou sugerindo temas a tratar em edições futuras, ou ainda fazendo-nos chegar comentários que entendam pertinentes. Este espaço é seu! Participe através do seguinte endereço eletrónico: boletim.informativo@ssap.gov.pt

 

Os meninos da minha aldeia

 

Os meninos da minha aldeia nasceram nas suas casas humildes, algumas delas em completo abandono nestes últimos anos. Suas mães nunca foram para a Maternidade, que só existia no Hospital da Guarda, e não era fácil a deslocação, pois não havia transportes públicos, nem carros particulares.

Eram alimentados com o leite materno enquanto fosse possível. Depois, com papas de pão desfeito em água morna açucarada, até à idade de começarem a comer as batatas e os feijões cozidos, esmagados no prato.

Tanto assim era, que numa sessão de catequese, a catequista perguntou ao meu irmão Adriano quem o tinha criado e ele, em lugar de responder “foi Deus”, tal como constava do catecismo, respondeu que tinha sido a mãe, com as batatas e com os feijões. É evidente que a risada foi geral, todos nós conhecíamos as suas travessuras.

Alguns meninos não resistiam às febres intestinais dos Verões quentes da aldeia, quem sabe se não seriam provocadas pelas águas que se retiravam das fontes de mergulho!

Ainda criança e em pleno Verão, depois de alguns dias de cama, estive internada no Hospital de Almeida, de onde consegui fugir mas, como era de noite e me sentia muito mal devido à febre elevada e às dores de barriga e, por outro lado, não sabia para onde ir, fui encontrada, não sei quanto tempo depois, sentada na escadaria do Bairro das Esquadras.

Os meninos gostavam de comer as pedras de granizo que se acumulavam junto das paredes e de ver e chupar o sincelo (pedaços de gelo resultantes da congelação da chuva ou do orvalho) pendurado nos telhados ou nos ramos das árvores, durante vários dias. Não sabiam que existiam gelados, por isso chupavam o sincelo que lhes deixava os lábios arroxeados, mas não se importavam.

Alguns não tinham nada para comer, pediam de porta em porta uma “côdea rapada” - bocado de pão sem miolo, porque este seria comido pelos donos da casa -, e partilhavam a comida de alguns colegas da escola. A solidariedade existia, havia o conhecimento da real situação, não se tratava de simples oportunismo, de vício, ou de preguiça.

Na minha terra, e nas aldeias vizinhas, alguns meninos andavam rotos e descalços, os pais não tinham meios para, com regularidade, lhes comprarem roupas novas, sapatos ou tamancos, nas feiras de Almeida ou de Pinhel, para se agasalharem e seus pezinhos protegerem da terra gretada nos meses de Verão, ou da terra gelada nos infindáveis meses de Inverno.

Na minha aldeia, os meninos tinham ampla liberdade para brincarem nas ruas, nos caminhos, nos campos, sem qualquer tipo de perigo.

Como apenas circulavam carros de madeira puxados por vacas, machos ou burros, não havia atropelamentos.

Como valores, apenas ostentavam os morais, ninguém lhos poderia furtar. Porque eram pobres, e porque a aldeia não tinha estradas, nunca foram cobiçados e levados por transeuntes mal formados, desonestos, criminosos.

Os meninos da minha terra gostavam muito de ir à escola, para aprenderem a falar com mais facilidade e com menos erros do que os seus pais e avós, para saberem contar o dinheiro que no futuro iriam receber como justo pagamento do seu trabalho, para conhecerem as cidades por onde passavam os grandes rios que fertilizavam os campos de Portugal, as montanhas que quase tocavam o céu, as linhas de ferro com suas estações e apeadeiros, que cruzavam o país inteiro.

Os meninos de Vale Verde só conheciam as aldeias mais próximas e algumas da raia espanhola, onde às vezes iam comprar géneros alimentares que não existiam nas lojas da sua terra, como o pão de trigo, ou um par de botas, de alpergatas ou de calças de pana, a vila de Almeida e a cidade de Pinhel, deslocando-se a pé ou a cavalo na burra.

Nas noites claras, os meninos sentavam-se no chão de terra batida, nas escadas do campanário ou de uma casa qualquer de habitação e observavam, no céu, as constelações de que falavam os manuais escolares (que já tinham sido utilizados pelos seus irmãos mais velhos) e as estrelas cadentes que se desprendiam de repente e não sabiam para onde se deslocavam.

Nas noites estreladas, os meninos contavam as estrelas tão altas, tão belas, e viam luzinhas a percorrerem a imensidão do céu. Um dia, alguém lhes disse que eram aviões que seguiam a mesma rota e ficaram a saber que rota significava estrada aérea.

Na minha aldeia não havia lojas de brinquedos. Apenas havia lojas onde de vez em quando se compravam, a peso, escassos produtos alimentares (arroz, massa, açúcar, sal, bacalhau) e tabernas, onde em cada manhã alguns homens “matavam o bicho” e à noite bebiam uns copos de vinho tinto, depois de um árduo dia de trabalho desenvolvido à força dos seus braços, ajudados em algumas tarefas pelas juntas de vacas ou pelas parelhas de machos ou de burros, consoante as possibilidades dos agricultores.

Num domingo de Páscoa, o meu avô materno deu-me cinco escudos para comprar rebuçados para mim e para o meu irmão Adriano, na loja do tio José Vicêncio (irmão do meu pai). Cada rebuçado custava meio tostão, pelo que o meu tio me deu um grande embrulho.

Fui comendo pelo caminho e sentei-me nas escadas da casa da senhora Guilhermina, onde os acabei.

À hora da ceia, o meu avô perguntou ao Adriano se tinha comido os rebuçados, disse-lhe que não, e eu respondi que os tinha comido todos.

Fui repreendida e nunca mais na minha vida comi um rebuçado, seja qual for a sua natureza, aspecto ou variedade. Sinto repulsa, sem qualquer vontade de experimentar um rebuçado actual.

Os meninos de Vale Verde não tinham brinquedos, a não ser no dia 1 de Setembro de cada ano, se os pais lhes comprassem na “Feira Nova” de Almeida, uma boneca de papel ou uma corneta de plástico.

Na minha terra, os meninos tinham uma grande vontade de se divertirem, de conviverem, e não lhes faltava a prodigiosa imaginação para inventarem jogos e brinquedos que partilhavam ao fim do dia, depois de executarem as tarefas caseiras ou agrícolas, que os pais lhes tinham destinado para quando acabassem as aulas.

O meu irmão Adriano concebeu e fez uma bicicleta, um triciclo e uma trotinete de madeira, que servia para todos experimentarem e se divertirem nas ruas e nas descidas das lajas.

Alguns meninos construíam um arco com qualquer tipo de material e rodavam-no com um pau ou um ferro pelas ruas de terra, algumas vezes arrastada pelas chuvas torrenciais, que deixavam sulcos profundos por onde corriam os riachos, com pressa de desaguarem na Ribeira, no fundo do povo.

Nesses sulcos, os meninos encontravam de vez em quando moedas enferrujadas de um ou de dois tostões, as quais faziam deles crianças ricas, já as poderiam colocar no prato das esmolas, na missa do domingo seguinte.

Os meninos da minha aldeia, sem discriminação de sexo, jogavam ao peão, à xona, às escondidas, ao pica-chão, ao bem casadinho, à bola, ao fodrico (jogo que consistia em um esconder um lenço de pano num buraco da parede para ser encontrado pelos demais participantes).

Em algumas tardes de domingos de Verão, os meninos juntavam-se nos lameiros à sombra dos freixos, dos salgueiros ou dos amieiros à beira da Ribeira e contavam histórias, aventuras vividas e, quantas vezes, inventadas e faziam passeios pelos campos, para colherem fruta das árvores na propriedade dos pais de um dos membros do grupo.

Em algumas daquelas tardes havia jogos de futebol, no campo de terra batida, muito bem disputados por cada equipa, os quais não se convertiam em momentos de ódio ou de agressividade, extravasada em cada jogada. Existia rivalidade, mas respeitavam-se os outros, não se ofendiam ou maltratavam.

Outras tardes de domingo iam para o Rio Côa, onde molhavam os pés ou tentavam nadar nos açudes, sem qualquer tipo de preocupação com a roupa, pois secava no caminho de regresso a casa, pelo que os pais nem sequer se apercebiam como a tarde tinha sido passada.

Claro que em certas brincadeiras manifestava-se alguma violência, mas os problemas eram resolvidos no seio do grupo, os pais não tomavam conhecimento e não existia qualquer necessidade de interferirem, nenhum deles precisou de apoio psicológico.

Todos cresceram, cada um tomou o seu rumo, alguns viram-se na contingência de terem de emigrar com suas famílias para países europeus ou africanos, para conseguirem uma vida melhor, com mais dignidade.

Eu fui uma dessas meninas que estive em todas as brincadeiras e só tive os livros escolares e algumas bonecas de farrapos enchidas com areia, feitas pela minha mãe, e uma das poucas que tive o privilégio e a felicidade de poder estudar no Liceu Nacional da Guarda.

Ao longo dos anos, em cada regresso a casa, nos períodos de férias, os reencontros eram vividos com alegria, com nostalgia, com saudade, e sentíamos no forte abraço e nos olhos brilhantes, a amizade que alimentámos na infância e se mantinha na juventude.

Alguns desses meninos já nos deixaram. Deles falamos com a saudade que ficou colada às paredes, às escadas do campanário e das casas, às pedras dos caminhos, ao céu estrelado nas noites claras, ao frio que nos causa arrepios, ao cheiro da lenha que arde nas lareiras e aquece os nossos corações, ao vento que desassossega Vale Verde, lugar onde todos continuamos a gostar de regressar e de rever.

Extraído do livro “Passeios da memória” de Maria Alcina Adriano ( beneficiária dos SSAP)

Temas jurídicos

ePortugal – O Novo Portal dos Serviços Públicos

O Portal do Cidadão foi lançado a 16 de março de 2004, há cerca de 15 anos, e constituiu um ponto único para consultar informações ou conteúdos diversos, bem como para aceder a serviços eletrónicos disponibilizados pela Administração Pública central.

 

Este Portal, enquanto canal de acesso à Administração Pública, foi agora revisto de uma forma mais profunda, através da publicação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 46/2019, de 22 de fevereiro, e alterada a sua designação para ePortugal.

 

O ePortugal, cuja gestão é da responsabilidade da Agência para a Modernização Administrativa I.P. (AMA I.P.), tem como objetivo principal facilitar a interação entre os cidadãos e empresas e o Estado.

Em conformidade, o Portal pode ser usado por qualquer cidadão, nacional ou estrangeiro, empresa ou entidade e permite encontrar as seguintes informações:

• Serviços públicos disponíveis para cidadãos e empresas.

• Diretórios dos sítios, moradas e horários de locais e pontos de atendimento da Administração Pública;

• Acesso a serviços que dispensam deslocações a lojas ou pontos de atendimento podendo ser utilizado através de qualquer dispositivo (computador, smartphone ou tablet);

 

Este novo portal, que surge no âmbito da Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública, centraliza um conjunto de serviços e aplicações, entre os quais o Mapa do Cidadão, com georreferenciação de todos os serviços da Administração Pública, a Agenda de Cidadão, a Bolsa de Documentos e as Certidões Online.

O ePortugal permite a adaptação às necessidades e preferências de cada utilizador, através da personalização da navegação, potenciando uma utilização mais intuitiva, célere e direcionada.

Entre outras funcionalidades, o utilizador do Portal poderá consultar, na sua área reservada, a sua situação fiscal e de saúde, saber se tem a sua situação regularizada nas finanças e na segurança social, obter eletronicamente senhas de atendimento e fazer o acompanhamento do estado das filas de espera para serviços nas Lojas de Cidadão.

Em alternativa, é criada a possibilidade de o utilizador do Portal solicitar à Administração Pública que o contacte, via e-mail ou telefone.

O Portal disponibiliza também o SIGMA, um assistente virtual, que permite o esclarecimento rápido de dúvidas, servindo de apoio à navegação, e que poderá também ser encontrado no Facebook, bem como na realização de alguns serviços eletrónicos de forma assistida.

 

Poderá encontrar mais informações em eportugal.gov.pt

Ficha Técnica

Direção:
Humberto Meirinhos
Coordenação e edição:
Dionísia Rosado, Margarida Paradinha e Rosário Miranda
Suporte técnico:
Centro de Informática e Relações Públicas
Colaboram neste número:
Hugo Abelho, Teresa Barateiro
Marta Matos Gonçalves
Elsa Ferreiro, Nuno Coimbra
Contributos de:
Maria Alcina Adriano

Espaço Beneficiário

Este espaço é seu!

 

Caro/a beneficiário/a:
Participe no Boletim Informativo dos SSAP,
fazendo-nos chegar:
• sugestões para celebração de protocolos;
• temas a tratar na rubrica "Temas jurídicos";
• assuntos que gostaria de ver explorados;
• outras questões que entenda pertinente sugerir.

Participe através do seguinte endereço eletrónico:
boletim.informativo@ssap.gov.pt